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Rotina

Existe poesia na rotina? digam aí. eu só vejo poesia! ---- Toca o despertador. Acordo. Não entendo o que está acontecendo. Disparo o soneca do celular. Ontem dormi um pouco tarde. Foi inevitável. Senti o cheiro da pele e do cabelo, pé no pé, chuvinha lá fora, o calor do corpo dele do meu lado. Gozei e perdi o sono. Falamos da vida, tivemos idéias esquisitas, rimos muito disso. Ele dormiu, eu fiquei pensando em qualquer coisa, peguei um livro, Pessoa, Saramago, Tantra, Eram os Deuses Astronautas... tanto faz. Era um livro que eu gostava. Dormi. O soneca dispara a cada cinco minutos. Não consigo configurar pra dez. Levanto e vou fazer xixi. Vejo minhas olheiras no espelho. Vou ao quarto dar um beijo no rosto dele enquanto ainda dorme e fecho a porta. Nado, faço yoga. Volto. Fazemos café, vitamina com frutas, quinua, linhaça e leite de soja. A gente se beija, se abraça e come pão integral com manteiga. Vejo o que se passa na TV. Notícias de furacões, terremotos, maremotos, Mais Você,...

NOT A SPALLA

tenho a sensação de que conheço todas as pessoas eu as escuto falar, chorar, contar os segredos infelizmente as ouço lamentar... não que isso tome mais a minha energia já faz tempo que deixei de ser um ombro sou um corpo ou não sou

celebremos!

só o desejo é definitivamente o que arrebata um tesão doido de viver e de enlouquecer a lucidez cotidiana do rebanho! viva a diferença! eu amo com o corpo eu sinto com o pensamento eu gozo com as palavras, a lida, a dita, a cantada, a que escapa eu transpiro com os risos vivas a morte da moral! eu desejo e isso não é nietzschiano. isso é vida! desejo uma doçura interminável, mas apenas até onde esbarro no limiar do doce e cedo lugar a pimenta de olhar nos olhos da vida e dizer: foda-se! em 22 de julho de 2009

série forças - a terra

essa saudade... para onde voltam sempre as andorinhas

série forças - a água

ela faz a vida ao abraçar o mundo todo é a mais vermelha das coisas sem cor imprevisível, porém certeira colchão para chegar mais perto das estrelas espelho do céu, fonte de poesia colcha que guarda o inimaginável uma vida que de tão profunda nos chega apenas um sussurro estrada para sonhadores, trabalhadores, viajantes e horizontes estrada perigosa fúria que mantém a dança do universo corpo que explode e esbraveja e chega ondulado na terra...

série forças - a rocha

estou eu, a meditar sob a rocha ela, parte de mim tolerante e paciente a resistência do mundo o que persiste no tempo e conta todas as histórias aquela que guarda portões sagrados e os mistérios das idades da Terra sua fala é de anciã rocha-mãe que abriga e acolhe e endurece o que deve ser endurecido casa para toda diversidade de seres que dela se alimentam para o seu sono pois ela nunca dorme e diz mais quando tudo se aquieta e escurece

rio

o meu amor não tem garras ele escorrega no que ama