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ressonâncias

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Existe um deserto em cada um de nós Cada vez mais eu o desejo Na busca de entender o que não entendo? Para ouvir o que nunca escuto? Sei pouco ou nada do que faz com que eu me mova assim Tão avidamente em direção a esse espaço cheio de vazio Ainda não sei Perco tempos preciosos com tal capricho E sou aquela voz que cala após ouvir a própria voz ressoar De alguma forma reverencio esse deserto Que se amplia nas águas, pedras, areia, Nos espinhos e seres que rastejam ou tem guelras Mas o deserto do corpo, esse é o mais intenso Porque só se tem o próprio corpo E ele é o nosso grande deserto Quero me iluminar e deslizar por ele Talvez por isso, por querer Devo parar de desejar? Mas, para quê? Para encontrar a tão esperada calma diante do mundo? Os dias continuam passando O mundo ansiosamente me aguarda e pede reação E não há calma possível diante do mu...

perdidos achados

poemas encontrados perdidos em um caderno. chegam aqui da forma como foram achados, sem lapidação, sem cuidado, frescos como quando vieram ao mundo. A vida, que sempre me pareceu curta De repente hoje me pareceu tanto... Imaginar que chegarei aos 50, 60, 79 anos São mais 20 ou 30 Mais 40 ou 50 anos? Posso fazer o que eu quiser! Quanto mais tenho que esperar? Trabalhar? Para quê? Queria estar sempre no topo do mundo, no alto das montanhas Os Andes, o Himalaia E descer todos os mares Experimentar todas as especiarias Os sabores das frutas e das folhas Os molhos, as ervas, os cremes Beber todos os vinhos Sentir o cheiro do incenso na Índia e no Nepal Curtir o mar do meio do oceano Ouvir a maravilha da gravidade dos sons dos sinos budistas Correr por castelos, e me integrar nas primaveras doces dos rios todos Para que tanta política e ciência Se o que quero é sentir o mundo? Se assim sou feliz, Apenas sentindo... Para que precisamos de p...

poema-oceano

o mar sob meu teto todo dia sinto o cheiro janela aberta é condição a onda sempre vai e volta mas meu barco faz porto de qualquer lugar que se apaixone fica, e deixa que vá e volte só a onda mas se volta, depende fato é que ele vai o mar sob meu sonho... meu barco já está no mundo apenas eu que ainda não cheguei

poema-jardinagem

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queria hoje uma chuva de flores a cair sobre meu corpo retirar-lhe o peso e transformar-lhe em flor eu o queria inteiro, esse corpo cansado, sem chão para oferecer-lhe cheiro de alfazema no pé, cor de rosa, violeta, orquídea preta senti-lo pétala a pétala como se fosse gérbera vermelha queria hoje ser um lírio aposentado, um girassol abandonado, a compartilhar com ervas daninhas o gozo de brotar de qualquer jeito ser um corpo leve e sair por aí como dama da noite que não pede desculpas ao entrar sem bater um frangipani enlouquecido! corpo sem culpa, eu brotaria dente de leão, flor que voa, e voaria para sempre até que me esvaísse quando então eu já seria uma lótus universal conectando o espaço sem fim de todos os corpos morando sob suas cabeças os ajudando a brotar e voar queria hoje só brotar e voar e...

poesia para a vida

o brilho dos olhos... vai embora como cachorro desprezado se a gente não cuida de manter as paixões -------- de repente um dia você acorda e o mundo começa a existir mas aí já é tarde e só te resta aposentar o corpo morre antes guri, pra não ver que perdeu a vida ou trate de viver agora que o sonho já está logo ali quando você virar a esquina, ele acenará -------- a alegria se inscreve por si mesma portanto, procurá-la, é passatempo das fraquezas é ela quem vem de encontro não se acha na gaveta, nem na mala, nem num canto quem espalhou que a dúvida é benefício é porque cedeu a mão ao medo e esqueceu que a alegria não duvida medo de ir exatamente onde se deve ir - e exato não é preciso mesmo que esse onde deixe de ser depois aquele onde de agora - que é somente um onde do instante, para se tornar o que já foi e não é mais há coisas que não podem prolongar-se pois não há prolongamento possível àquilo para o qual já é ne...

Mauá

tenho em mim uma cicatriz da Maromba com que me presenteou o Escorrega acima da flor de lótus residirá eterna como a tatuagem a alegria de repente ganha forma no meu corpo porque aquele lugar também é meu corpo e meu corpo é a pedra e o rio Preto meu sangue correu por ele, já deve ter chegado ao mar faz tempo meu sangue e o mar são agora um assim também meu corpo, toda Mauá, o rio, as pedras, a mata, os entes, as estrelas somos todos um único corpo modos da substância tão bela quanto mais indiferente consigo concebê-la e a flor residirá a expelir a cicatriz para sempre enquanto meu corpo resistir a entrega final e meu sangue estará lá, no rio, no mar, na chuva que cairá após os dias quentes de sol para voltar à terra e fazê-la mãe de uma árvore frutífera

oops

já acordo em sobressaltos meus múltiplos fluxos não deixam barato vapor reagir pra quê? melhor é ir de mãos dadas parar de forma alguma ligar a TV jamais usá-la como móvel para suportar flores e um gnomo palavras, projetos starta tudo ao mesmo tempo a vida escorre como aventura perigosa que dá fome e faz neblina e quando tudo se aquieta medito e alongo o corpo desejoso paro sem parar paro sem estagnar o olhar paro para não ouvir as vozes rabugentas e os pensamentos secretos do âncora do jornal pego a vassoura e o enxoto como bicho que não se quer músicas, só as que desejo aquelas músicas! sons? do vento, das vozes amigas, do pensamento que persiste calor? dos corpos, do sol e da arte o das luzes artificiais que fique para os cegos água pra todos os lados para lavar com os meus santos os alheios velas para criar penumbra, incensos para remeter mato, muito mato, e chuva fina no telhado bora correr na rua? pintar o hidrante e fazer...