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pop poesia

o pop nunca poupou ninguém cansamos de decorar a máxima a filosofia pop não poupou os ícones a pop poesia é padrão do artista contemporâneo a arte que vive na fronteira é a arte que queremos o artista-acadêmico-errante, nem lá nem cá desterritorialização da especialidade performance do caos urbano estar nas fronteiras provocar a própria criação não se pode ser artista sendo um só o múltiplo pode configurar a arte o pop é possibilidade da recriação da criação do abalo de todos os cânones que sejam belos, que sejam sublimes, que sejam amados mas que deixem de ser cânones abalo sísmico do símio produzindo fogo 2001 chances de acontecer diferente ruir ruir ruir ruídos de todo e qualquer juiz voar pra onde se deve voar para onde está apontado o devir quem cisca é galinha quem voa é águia visão de latitude e longitude não-óbvia produzir com o suor deixar a poesia vir do fígado fazer música com o mesmo torpor de quando se vê o próprio ...

vontade

desejo é sempre a mesma coisa um dia vai, um dia volta... volta e volta ouvia vovó dizer que vontade é uma coisa que dá e passa não sabia o que vovó queria dizer e então entendi que sim, passa depois que a gente curte aquilo que desejou se passa sozinha? não, só dorme vontade é coisa que dá simples, como laranja o ano inteiro

espera

é sempre muito bom pegar os cadernos depois de um tempo. passo a gostar do que escrevi. de toda forma o que desejo é que ao abrir os olhos pela manhã tenha somente passado um dia mesmo e que eu possa ter a certeza de que há tanto o que viver ainda e que lento, passa o tempo de toda forma é só isso ---- basta que se apague a luz e perdemos um pouco daquela confortável conexão com o fora ficamos dentro grande oceano de nós mesmos difícil é respirar quando somos rarefeitos ---- saudade de tudo aquilo que não sei e quero... ---- um, dois, seis hoje eu quereria tantos outros quanto fossem possíveis quereria ter a certeza de que se pode ir até a lua e não envelhecer tão rápido só flutuar e olhar para o planeta azul de longe e tanto quanto fosse possível eu quereria errar para ter segundas chances elas são sempre um gozo sem fim e subir bem lá no alto daquela montanha na terça de carnaval ver a cidade de longe sent...

ressonâncias

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Existe um deserto em cada um de nós Cada vez mais eu o desejo Na busca de entender o que não entendo? Para ouvir o que nunca escuto? Sei pouco ou nada do que faz com que eu me mova assim Tão avidamente em direção a esse espaço cheio de vazio Ainda não sei Perco tempos preciosos com tal capricho E sou aquela voz que cala após ouvir a própria voz ressoar De alguma forma reverencio esse deserto Que se amplia nas águas, pedras, areia, Nos espinhos e seres que rastejam ou tem guelras Mas o deserto do corpo, esse é o mais intenso Porque só se tem o próprio corpo E ele é o nosso grande deserto Quero me iluminar e deslizar por ele Talvez por isso, por querer Devo parar de desejar? Mas, para quê? Para encontrar a tão esperada calma diante do mundo? Os dias continuam passando O mundo ansiosamente me aguarda e pede reação E não há calma possível diante do mu...

perdidos achados

poemas encontrados perdidos em um caderno. chegam aqui da forma como foram achados, sem lapidação, sem cuidado, frescos como quando vieram ao mundo. A vida, que sempre me pareceu curta De repente hoje me pareceu tanto... Imaginar que chegarei aos 50, 60, 79 anos São mais 20 ou 30 Mais 40 ou 50 anos? Posso fazer o que eu quiser! Quanto mais tenho que esperar? Trabalhar? Para quê? Queria estar sempre no topo do mundo, no alto das montanhas Os Andes, o Himalaia E descer todos os mares Experimentar todas as especiarias Os sabores das frutas e das folhas Os molhos, as ervas, os cremes Beber todos os vinhos Sentir o cheiro do incenso na Índia e no Nepal Curtir o mar do meio do oceano Ouvir a maravilha da gravidade dos sons dos sinos budistas Correr por castelos, e me integrar nas primaveras doces dos rios todos Para que tanta política e ciência Se o que quero é sentir o mundo? Se assim sou feliz, Apenas sentindo... Para que precisamos de p...

poema-oceano

o mar sob meu teto todo dia sinto o cheiro janela aberta é condição a onda sempre vai e volta mas meu barco faz porto de qualquer lugar que se apaixone fica, e deixa que vá e volte só a onda mas se volta, depende fato é que ele vai o mar sob meu sonho... meu barco já está no mundo apenas eu que ainda não cheguei

poema-jardinagem

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queria hoje uma chuva de flores a cair sobre meu corpo retirar-lhe o peso e transformar-lhe em flor eu o queria inteiro, esse corpo cansado, sem chão para oferecer-lhe cheiro de alfazema no pé, cor de rosa, violeta, orquídea preta senti-lo pétala a pétala como se fosse gérbera vermelha queria hoje ser um lírio aposentado, um girassol abandonado, a compartilhar com ervas daninhas o gozo de brotar de qualquer jeito ser um corpo leve e sair por aí como dama da noite que não pede desculpas ao entrar sem bater um frangipani enlouquecido! corpo sem culpa, eu brotaria dente de leão, flor que voa, e voaria para sempre até que me esvaísse quando então eu já seria uma lótus universal conectando o espaço sem fim de todos os corpos morando sob suas cabeças os ajudando a brotar e voar queria hoje só brotar e voar e...