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Numa noite de chuva

minha sapatilha vermelha encharcada da chuva só desejava vagar tudo parecia incerto mas foi certo como poema feito pra chorar ela buscou os amigos errantes e foi na sua errância sentar só pediu uma pizza, uma cerveja e uma alegria não aceitou a burocracia cinza da fila e do transporte daquela gente toda com cara de apatia tão apegadas às suas casas que esquecem que existe poesia apegadas, todas elas, a uma sobrevida que atravessam o mar todos os dias e, moribundas, só esperam a hora de chegar na terra respirou fundo aquela sapatilha vermelha que foi vagar mandou mensagens para os queridos e recebeu uma resposta a resposta certa de uma alma errante cumprindo deveres que a errância não entende mas precisa aceitar mas, nossa, que alma alegre! eu devia era ter te sequestrado e essa chuva então... com o esmalte vermelho paixão sentei na mesa coberta por um toldo verde e lembrei também do amigo Juba, meu amor de vento, das noites que ali passamos em nossa...

para ela

te saúdo primavera do melhor jeito que sei com o corpo alongado, música e perfumes a casa já está repleta de flores te saúdo com aquela garrafa de vinho e o coração cheio de amor para ti plantei um trevo de quatro folhas em ti renasce minha alma leve que só deseja movimento primavera dessa vez você coincide com a minha própria e é, de todas, a mais bela que já vi

O mistério do planeta

não há mistério maior no mundo que o silêncio ele não é o sim nem o não mas a ausência mais presente do universo talvez, nessa hora, a certeza seja precipitar o agora então, se não pode haver certeza eu prefiro que fique, silêncio porque assim, és a possibilidade não mais que o sim não menos que o não mas um pulso permanente que testa a minha ansiedade e me enche de multiplicidade

bombas de amor

Concebo, agora, bombas de amor E elas têm uma força absurda em ser Concebo agora tudo o que posso ser E percebo que sou, quando sou o mundo Nasce, então, uma pesquisa E ela é vida Nasce um novo consumo Uma nova casa Um incomum trânsito de Saturno Nasce uma viagem Nasce uma terapia Renasce em mim o humano perdido A ancestralidade Minha paixão se acalma e transborda Já não posso mais conter O amor se multiplica Sou euforia Nasce um grupo, um coletivo, afetos rizomizam Agora escrevo Agora concebo um novo mundo Agora medito, agora poetizo Eu não sou nada mais que ebulição Prosa, poesia, produção Diferença, conflito, música, sedução Movimento Meu ar e minha terra Buscam teu fogo e tua água mundo Meu cérebro é criação subjetiva, amor indecente Meu cérebro é meu timo e meu coração Ele vagueia a criar muito e querer tudo concretizar Emoção desmedida Em ser tudo o que se pode ser E receber o que se pode receber Abrir-se, amar, fluir

#contemporaneoemqualquerlugar

inspirada por "sexo em moscou", de Mano Melo, ofereço meu "sexo contemporâneo em qualquer lugar" ---- minha net, doida pelo seu crowd,  bem funding,  pede: enter enter enter com o seu wi-fi que eu libero a senha nós 2, web 2 td bem colaborativo face to face seu pen drive em mim, baby ai, essa sua nuvem de tags me deixa louca pra twittar na sua boca 140 caracteres de puro prazer e no meu email, ver vc hackeando meu mundo privado pirateando as minhas zonas de segurança creative commons na cama pro meu software ficar todo livre e eu digo: i phone que eu gosto, phone! Mac no meu corpo todo essa máquina me mostra teu ultrabook me joga na tela e me chama de wallpaper conecta esse cabo na minha USB mouse, assim, mouse me faz tua Wikipédia que eu te faço meu Google e vem, faz login em mim depois desse hangout todo seu aplicativo todinho no meu celular carrega 100% de suor sou sms multimídia e ...

Ensaio sobre a nudez

a poesia, hoje, cedeu lugar à prosa. O que ainda não é, só se faz sob o sol quando abrimos mão da obediência.  Não a obediência em relação ao outro, mas a que impomos a nós mesmos ou a de outros que introjetamos como se fosse nossa. (Nilton Bonder, A Alma Imoral) Hoje, domingo, acordei com um pressentimento. Saí de casa e voltei com uma missão. Era preciso escrever. A febre da escrita passou o dia em suspensão. Ela não sabia muito bem o que seria escrito. E, como febre, assim permaneceu. Mas agora as palavras começam a delinear um cenário. E sabe que, pra que o texto nasça, é preciso um ato: despir-me. Escrevi há alguns domingos atrás que domingo é o dia do possível. E resolvi fazer de todo domingo um dia especial. Religiosamente, para começar a semana com a certeza de que a vida, ainda que não seja escolha, não é senão o que acontece quando damos atenção a nós mesmos. Como muitos de meus dias, este não foi, em parte, como eu queria. Mas quantas vezes não é. Imagino que p...

um novo poema egocêntrico

não sei mais o que sou e gosto dói mas gosto e tem gosto eu medito e tenho plantas pra cuidar eu escrevo falo tudo é exagerado até o meu silêncio, quando vem é exagero eu sou ansiedade de querer pra ontem e acalmo o anseio com chá de capim limão a cada dia sou imperfeição não cumpro promessas e não posso dizer que não porque pode ser que sim tive uma banda chamada móbile tenho um projeto chamado móbile tenho uma música chamada móbile destino imperfeito de ser levada pelo vento eu sou espiral no tempo