30.9.09

divagações extemporâneas 1.408

tenho a sensação de que conheço todas as pessoas
eu as escuto falar, chorar, contar os segredos
infelizmente as ouço lamentar...
não que isso tome mais a minha energia
já faz tempo que deixei de ser um ombro
sou um corpo
ou não sou

celebremos!

só o desejo é definitivamente o que arrebata
um tesão doido de viver
e de enlouquecer a lucidez cotidiana do rebanho!

viva a diferença!

eu amo com o corpo
eu sinto com o pensamento
eu gozo com as palavras,
a lida, a dita, a cantada, a que escapa

eu transpiro com os risos

vivas a morte da moral!
eu desejo e isso não é nietzschiano.
isso é vida!

desejo uma doçura interminável,
mas apenas até onde esbarro no limiar do doce
e cedo lugar a pimenta de olhar nos olhos da vida e dizer:
foda-se!

em 22 de julho de 2009

série forças - a terra

essa saudade...
para onde voltam sempre as andorinhas

série forças - a água

ela faz a vida ao abraçar o mundo todo
é a mais vermelha das coisas sem cor
imprevisível, porém certeira
colchão para chegar mais perto das estrelas
espelho do céu, fonte de poesia
colcha que guarda o inimaginável
uma vida que de tão profunda
nos chega apenas um sussurro
estrada para sonhadores, trabalhadores,
viajantes e horizontes
estrada perigosa
fúria que mantém a dança do universo
corpo que explode e esbraveja
e chega ondulado na terra...

série forças - a rocha

estou
eu, a meditar sob a rocha
ela, parte de mim
tolerante e paciente
a resistência do mundo
o que persiste no tempo e conta todas as histórias
aquela que guarda portões sagrados
e os mistérios das idades da Terra
sua fala é de anciã
rocha-mãe que abriga e acolhe
e endurece o que deve ser endurecido
casa para toda diversidade de seres
que dela se alimentam para o seu sono
pois ela nunca dorme
e diz mais quando tudo se aquieta e escurece