16.10.11

pop poesia


o pop nunca poupou ninguém
cansamos de decorar a máxima
a filosofia pop não poupou os ícones
a pop poesia é padrão do artista contemporâneo
a arte que vive na fronteira é a arte que queremos
o artista-acadêmico-errante, nem lá nem cá
desterritorialização da especialidade
performance do caos urbano
estar nas fronteiras
provocar a própria criação
não se pode ser artista sendo um
só o múltiplo pode configurar a arte
o pop é possibilidade
da recriação da criação
do abalo de todos os cânones
que sejam belos, que sejam sublimes, que sejam amados
mas que deixem de ser cânones
abalo sísmico do símio produzindo fogo
2001 chances de acontecer diferente
ruir ruir ruir ruídos de todo e qualquer juiz
voar pra onde se deve voar
para onde está apontado o devir
quem cisca é galinha
quem voa é águia
visão de latitude e longitude não-óbvia
produzir com o suor
deixar a poesia vir do fígado
fazer música com o mesmo torpor
de quando se vê o próprio sangue
ser vísceras e pensamento
ser um quando se é qualquer um
ser tempo, espaço, intuição
multiplicar a experiência
meditar, limpar a casa, escrever e fazer nada
da mesma maneira
são todas formas de ser e compreender o mundo
explicar o mundo sem medo de ter que desexplicá-lo
intoxicar-se de amor
de liberdade não, ela não existe
o que existe é a agonia, agonística, agnósticos em danças circulares
pop poesia
sem pretensão e cheia de intenção
colagem, recorte, deslize pelas linhas
martelo, flor, transporte
comunicação
a que falta
a que os cursos não dão conta
olho no olho, direção ao ouvir
ainda que se tenha problemas de escuta

enquanto formos medíocres
o pop será medíocre
e só