26.9.07

depois do chá de sumiço...

Era um

Passaram-se dois

No terceiro eu queria morrer

Mas no quarto o sol foi tão gritante

Que não tive escolha

Dancei loucamente

21.7.07


LANÇAMENTO DO LIVRO NOVELO
DIA 6 DE AGOSTO, 20H, MISTURA CARIOCA, LAPA
SHOWS, VIDEOS, POESIA
PROGRAMAÇÃO EM BREVE!!!!

1.6.07

Fragmento

Quero me afogar na chuva como as plantas.

E sentir como um estômago.

Digerindo, produzindo líquidos.

Vomitando e separando nutrientes.

Quero um poço cheio de lama:

misturar-me aos vermes.

Rastejar...

15.5.07

Auto da poesia autoral

Sou poeta da autoreferência
Interior de mim
Eu, concreta e neblina
Que carrega a casa nas costas

Não preciso de mais nada
Meu quintal é o mundo inteiro
Poeta que não escreve ou diz para ser poeta
Poeta que se gradua no cotidiano
Na hora da alvorada, do amor, da refeição
Na hora do nada

Sou poeta de mim e de tudo
Porque em mim tudo se renova
E no tudo eu me relavo
Poeta de dores profundas
Das lembranças mal quistas
Mas de grandes alegrias
Das doces memórias
E do presente em movimento

Sou poeta das águas
Aquilo que me refaz
Celeste manifestação corporal da Terra
Onde encontro o prazer da intensidade

Por fim, sou poeta da infinita curiosidade
E de um desejo sem fim de mim mesma
...Desencontrada

Planando nos céus sob abismos do mundo todo
Sempre em busca de novas madrugadas

Diverso essencial do verso de mim

Ode


Ode ao mar que me faz silêncio
Ao sol que me faz desejo
Ao mistério que me faz criança
De todas as coisas do mundo
Carrego um pouco
E de todas as estrelas,
virtualidade da matéria,
carrego a longa permanência da luz
E do caminhar à beira de breves ondas
sentido em meus pés desenraizados
a áspera areia branca
Sei... sincero é o mais longínquo dos astros
E errôneos os que caminham ritmados
no tempo da maquinaria do mundo-gente
Observo-os de longe
da beira-mar onde estou,
formigas cujas odes são ao controle
E eu, nesse mesmo mar que encontro aos pés...
Incontrolável
É o mar que lança sua força em mim
De tal modo que meu respeito a sua infinitude se dilui
e sou em uníssono com ele
Porque ouço uma voz que sempre me chama
Como vozes ouvidas antes por meus ancestrais
E ouço ainda um sinal
Que me guia pelo cheiro da maresia
E chego ao farol
Ode ao farol
Que ilumina a extensão da mais profunda beleza
De lá contemplo tudo o que possa haver
Pela manhã o nascer do sol
Vida pulsante
Força de navegante
Do espaço-tempo de luz e trevas
Brilho da magnitude
Ilumino em conjunção
Sinto o calor me tomar para si
E algo me diz que também eu
sou estrela no infinito
Que também em mim
giram planetas em órbita
E que também por mim
o mundo gira e se faz permanente movimento
E eu sinto esse calor
a luz a que fogem meus olhos vermelhos de lua
Lânguidos e suaves
Porque também eu sou a aniquilação
E, assim, maré que vai e vem
e move o universo
E quando tudo se cala
Também a morte pode reivindicar a vida
E vive-se na morte
Da mesma forma que se vive morto
O dilema nunca é um dualismo
É dor
E a dor é força
A dor das águas é o grito do mundo que,
com força, arrasta para o profundo horizonte
O mar sabe das dores
Ele recebe almas
Sente e molda o mundo
A minha dor sente e molda minha vida
E faz girar moinhos que
transformam ventos em caminhos
E sempre pra longe eu vou
Como barco de pescador
Canoa de desejos
Peixe que não se distingue da água
Água que remexe, expulsa e corrói
E como vento e longitude, eu sigo,
capitã de grandes navios piratas
Porque ser pirata
É ser marinheiro de alma
Navegante por paixão
Afirmativo poder das ondas
É ser vento que traz
Ora raios luminosos
Ora cinzas tempestades
É ser um com o mar
Ode aos piratas
Mais peixes que marinheiros
Ode ao mar
Meu segundo de eternidade
Mas Terra do que a terra

12.2.07

Móbile

Danço
E quando não danço
me lanço

Retomo dois, três, quatro passos
Separo cinco, seis, sete cantos
E reparo

De um lado a outro me desloco
Caminho lado a lado
E engano
Me engano

Sou reflexo
Som de eco
Me debato
Me carrego

Sou de ferro
E de aço
Também refaço

Sou de vento
E de água
Me entrego
Afogo mágoa

Sou exata
Por alguns segundos
Antes de uma nova rajada

Água

Caem como estrelas no horizonte da noite
Entregam-se como loucos apaixonados
Golpeiam, tomando para si tudo o que desejam
E mesmo quando não desejam
Corróem, diluem, esbravejam

Rastejam como bichos famintos
Violentam como doentes terminais
Carregam, levando tudo o que se move
E mesmo o que não se move
Desvelam, desnivelam, retomam

E minha dor vem como um refluxo
Remexe
Flutua como bolha de sabão
No infinito espaço da solidão humana

Pois a cada dia matamos algo que não nos pertence
Porque ainda nada nos pertence
Matamos algo a cada dia

Do efêmero infinito

Sou uma “pensatriz” do disforme
Porque não concebo idéia e história
Mas a possibilidade do impossível

Sou o que pensa e desconstrói o pensamento
Ativista do momento eterno
E manifestante da não-teatralidade

Sou o que existe e seu oposto
E mais ainda, o que não se concebe
Uma força que emana dúvida
E suga a luz do mundo

Sou mais...
O que se conserva e o que morre súbito

O mundo que existe no intervalo
Entre dois longos nadas
Mundo sutil e espetacular

Sutileza ingrata!
Quando se percebe o que eu era
Já não é mais

7.2.07

uma de minhas fotos preferidas da Bahia...
momento melancólico capturado por meu olhar marítimo...

O mar

Esse mar tão aberto
que me impele a vivê-lo

Não a desvendar seus segredos
pois já os sei, meu mar aberto

sei a brisa
a força
sei o tom e os silêncios

Esse mar tão meu e tão do mundo
lembra-me a mim
Tão minha e tão do mundo

E o barco que o navega,
meus desejos submersos
aquáticos
fluidos

Metamórficos!!!

Essa metamorfose do mar sou eu
Com ele me entendo

Porque as ondas são a energia da vontade
e, ainda, o expurgo dos males por cicatrizar

E o mergulho o perder-se,
longe do medo de lançar-se

Onde o doce é intempestivo
o raso, profundo
e o espaço, infinito

E o choro que escancaro
minha alegria sob tamanha imensidão

Deus Mar Todo Poderoso!
Fui criada a sua imagem e semelhança!


4.2.07

tempo

às vezes eu carimbo
às vezes eu datilografo
dura vida de escrivã
dura vida do cotidiano
às vezes eu penso...
às vezes dispenso

dia perfeito


um dia perfeito...
em que cores efusivas se espalham com o sol,
de vento revolvendo alegrias e amores
um dia de luz...
de vida pulsante no horizonte
de saudades de sorrisos e olhares distantes
um dia perfeito...
com quem viver um dia de luz?
com quem viver por todos os dias?

quando o mundo nasceu

todos esses magníficos sons ao luar...
sem muita explicação eu amava
e como amava o ser celestial
que, de tanto rir, me encantava
eu vivia para este encantamento
naquele tempo em que as flores
ainda viviam pela terra
naquele tempo em que o mundo,
de uma explosão,
fez-se esplendorosa profusão de cores e olfatos
quanto então toda a vida gritou
e transformou o conceito de silêncio

Vasto Mundo











Tudo em mim é um outro
Toda a existência me tatua
Mas uma luz se esvai no vazio que me devora
Como fogo primeiro

Todo outro é um ninguém
Um disforme que se perde na neblina
Folhas sem verde
Telas não pintadas
Ondas sem oceano

Carregando barcos sem leme
Um sopro sem oxigênio
Um vento

Eu sinto o vento
Silencioso no primeiro momento
Um vento sinuoso, colorido
Que carrega o passado
Mas um vento

Ventos passam e transformam
Ventos renovam
E eu desejo o mundo inteiro

Que será que este mundo reserva a mim?

Qual leveza...
Qual intensidade...
Em que ombro amigo vou poder chorar?
Que novas músicas ouvir?
Uma nova velha voz rouca
Uma nova velha suavidade
Um novo velho distante horizonte
Um negro, um homem disposto a voar...

Quantas paixões?

Tudo em mim é um outro
Praia, lagoa, universo
Tudo em mim é verso

Todo outro é um ninguém
Sempre pronto a se tornar alguém

Nostalgia

Existir é viver no limite da sanidade.

Se eu pudesse agora te dizer de tudo que em mim explode...

Se eu pudesse escarrar minha saudade...

Essa nostalgia toda de barro, folhas e suores.

Sempre a lembrança entre os presentes!

A fome

Tenho fome.
De tudo aquilo que me tira o ar.
Desejo comer os meus problemas para digeri-los....
Desejo comer a própria fome,
e também a raiva, a angústia.
Devorar a dor.
Essa dor de perda.
Uma dor de nada.
Desejo mastigá-los, um a um,
o desespero,
os detestáveis e desprezíveis homens que insistem em permanecer,
as famigeradas verdades que proclamamos em palanques
sob bandeiras moralistas.

Eu odeio a fome.
Porém, ela é a única certeza,
uma certeza animal, selvagem,
de que sempre falta alguma coisa,
de que sempre, assim,
seremos eternos escravos do outro.

5.1.07

um link

sobre o vegetarianismo e a fome

http://www.guiavegano.com.br/ecologia/fome.htm
amigos,

como vegetariana, mas antes de tudo, como ser vivo, fiquei indignada com a publicidade da nova organização criada no país, a pró-carne. www.procarne.org.br

sei que muitos não compartilham da minha opção, mas peço a gentileza de observarem o seguinte, se isso for de seu interesse. e se for, peço um pouquinho de paciência, já que assunto na minha mão dá pano pra manga.

essa organização - que visa estimular o consumo da carne - foi criada e é mantida por produtores de carne: ou seja, nada mais propício num momento em que o consumo da carne está declinando.

eles estão com uma mega campanha publicitária em todos os possiveis meios de divulgação. mas não é esse o meu motivo de indignação e sim o fato do contrário não ter espaço para aparecer e criar o contraponto e o debate. os grandes donos de terra, criadores de gado, tem $ de sobra para esse tipo de investimento, enquanto as organizações vegetarianas precisam contar com apoios inúmeros, assim como muitas outras organizações: ecológicas, culturais, sociais. tudo o que é desprezado pela nossa sociedade e, consequentemente, pela mídia, briga pra sobreviver. somos um grande grupo de preconceituosos pelo mundo. quando buscamos opções diferenciadas do que é considerado normal é que conseguimos ter a exata noção disso. no meu caso, encontrar um restaurante onde eu possa ter muitas opções é raro. até uma simples saladinha tem presunto. e, além disso, todo mundo te acha um extraterrestre.

mas enfim, não estou aqui para lamentar as exclusões e a nossa incapacidade de conviver com as diferenças. a questão é: essa organização foi criada, está crescendo e o outro lado ninguém vê. que outro lado é esse?

a produção em massa de animais para abate tem consequências desastrosas em níveis diversos. são realizadas pesquisas em grandes universidades por todo o mundo sobre isso... e quem conhece os resultados? por que elas tb não estão no fantástico? bem, abaixo algumas consequências:

- a área necessária para um pasto precisa ser grande, muito grande, o que leva a um desmatamento intensivo. depois de um tempo o pasto fica inutilizável e é necessário desmatar uma nova área. além disso, o boi consome muitos grãos. por ex: 85% do milho produzido no brasil é destinado aos bois!!! estudos demonstram que um boi precisa de 3 a 4 hectares de terra, e produz apenas 210 quilos de carne entre 4 e 5 anos. esse mesmo tempo e essa mesma terra poderiam produzir 19 toneladas de arroz. ou seja, além da exploração do latifúndio, a fome mundial tb está relacionada a uma tradição enraizada sobre o mito da necessidade do consumo da carne e aos poderosos coronéis da carne.

- o sofrimento animal é inquestionável. eles vivem confinados, consumindo rações transgênicas e cheias de agrotóxicos para que se tornem "bons" para o abate em tempo menor. isso gera uma carne contaminada, não só pelos remédios mas pelo stress do animal que vive nessa situação, que libera substâncias tóxicas. além disso a carne animal fica em estado permanente de putrefação e é carregada de microorganismos maléficos ao ser humano. não temos capacidade de processá-los, como os animais carnívoros. voltando ao sofrimento, para fazer o fois gras, por ex, o ganso vive imobilizado por muitos dias recebendo quilos de comida através de um tubo inserido na sua boca, sem que possa mastigar. e por aí vai... com os bois, as galinhas, os animais de laboratório - embora já existam técnicas mais eficientes e baratas de testes - e até mesmo os peixes. aqueles que vivem em gaiolas são alimentados com rações com DDT, um pesticida proibido no país desde 1974 e, pasmem, usado até hoje. estudos observaram que peixes como esses chegaram a mudar de sexo, já q o DDT provoca anomalias, além de produzirem 14 substâncias cancerígenas, o que anula completamente o efeito benéfico do omega-3.

- no mais, isso só reflete a nossa mentalidade destrutiva e a nossa pretensa superioridade sobre a natureza. são esses os meus motivos para esse texto contra o pro-carne, são esses os meus motivos pela minha escolha vegetariana, e por muitas outras, como os alimentos orgânicos, a reciclagem, o diálogo nas relações... tudo q possa comprovar que é possivel vivermos de diferentes maneiras, e de forma diferente da normalidade estabelecida: com mais harmonia.

temos a "mania" de não questionar. estamos sempre indignados com as guerras, a fome, a violência, mas nunca paramos para pensar na gênese de tudo isso, no bizarro sistema que mantém toda a exploração no mundo. quem assistiu "O Jardineiro Fiel" ou "Syriana" - pequenos exemplos do que possa existir por aí - tvz tenha achado um absurdo. a indústria da carne é mais uma a integrar esse leque de organizações que fazem e desfazem o que querem no planeta.

é bom que isso fique claro, para que fique claro tb que não é o pescador da aldeia que leva o peixe à extinção, nem o índio que destrói a amazônia... e que nós somos seres culturais. não há naturalidade nas nossas ações. tudo tem sua origem. nada existe desde sempre, nem mesmo o universo...

quem quiser mais informações não só sobre a questão da produção da carne mas tb sobre questões ecológicas, listas de empresas que não cumprem legislações - por ex a dos transgênicos etc, abaixo algumas indicações:

- Alimentação Natural. Elizabeth Mota. Ed. Vozes
- www.svb.org.br - sociedade brasileira vegetariana
- www.greenpeace.org.br - dá pra acessar várias listas
- www.wwf.org.br - os estudos são o melhor da organização
- www.ambientebrasil.com.br
- www.institutoninarosa.org.br

bjs