16.7.12

poesia bem-concreta

um abraço
desejo
recorrente na memória do corpo
seu corpo
misturado a dor
despedaçado
meu corpo

13.7.12

poesia para a dor

A dor dói

Não faz mais nada além disso
E causa estrago

O corpo grita porque não sabe

Nesses tempos de tormentas
Um pequeno momento de paz
Merece um poema todo dele

Porque de resto só resta esperar
Pois é só o tempo
Sempre ele
Que tudo lava
E faz a dor partir para
Novamente
Dar lugar à alegria

Pois, como se cantou,
A tristeza sonha um dia não ser mais triste não

Deixemos partir o barco
Deixemos a luz entrar

6.7.12

o porvir


Saudade do que ainda vou viver
De todos os lugares que vou conhecer
Ânsia do mundo
Da Índia, do Ártico
Da montanha que virá para contar segredos ancestrais
O além-mar de Portugal
O sorriso por compartilhar
O alto do infinito para gritar seu nome
Saudade sem fim do mar azul
Das estradas pelas quais passarão meus pés
Dos matos por pisar e causar afetos
De todos aqueles cheiros a sentir pelos mercados populares
E aquela gente toda estranha a sussurrar uma língua que não é sua
O suor do calor de deserto
O frio regado a vinho italiano
Outro a desafiar nossas barracas carregadas de sonhos
O mundo é todo meu mesmo não sendo
E deverá ser mais e mais
E cada vez mais
Nosso, do sonho de viver com asas
Até que a saudade não exista mais
Tal será o movimento como padrão da existência

5.7.12

para uma maldita visita


E você, o que quer de mim?
Do que acha que vai me privar chegando desse jeito?
Eu sei, você quer expurgar tudo o que precisa ser dito
e ainda não foi feito
Entendo
Por ora aceito
Mas fique pouco tempo
Senão vai ver o que é bom pra tosse
Estou a caminho do mundo inteiro
Os dados foram lançados
É hora apenas de dar uma passadinha
E tomar seu rumo pra outro lado
Estou com os cravos em punho pra te mandar pra lá
Se ainda quiser ficar
Teremos uma longa jornada pra te expulsar
Mas sim, será expulsa

E chegará o momento de falar