27.11.11

visão


Mora onde a santidade?
Essa que não tem rosto
De uma santa que brilha por cima
Dos templos tão outros dos antigos
Que já não sei para que existem
Santa?
Demônio?
Tanto faz
São a mesma coisa
O que nos faz tão diferentes?
O que nos faz tão iguais?
Porque o silêncio e a luz insistem em representar a divindade?
Eu poderia ser qualquer santo
Entidade, arquétipo
Que eu saiba não há graduação pra isso
Que eu saiba ainda não inventaram distintivo
Que marque a chegada do divino
Porque ele está em toda parte
Até no que chamam de pecado
Minha intuição cada vez falha menos
Nunca falhou
E quase não dei atenção
Porque de fato eu funciono como um alerta
E me surpreendo sempre porque acerto
Eu sei, sempre sei
A santa me falou
Me disse que ali era só eu mesma e nada mais
Ela foi o sinal
Mas quem no nosso mundo tão precário
Sabe ouvir o que não se escuta?
Eu?
Estou aprendendo.
Eu ouvi

eu sou o universo

ahahahaha
achei um poema muito "eu sou mais eu"



Não serei o que quer que você queira que eu seja
Não posso
Acredite que o que se passa aqui dentro
Não é o que você vê
Você que não me conhece bem
E acha cabível conceber um mundo para mim
Eu concebo o meu mundo
E cada vez mais
Nele só cabe o que manda o meu desejo
E você vai achar bonitinho o que eu escrevo
Profundo...
E nem vai perceber que é pra você que eu falo
Para todos vocês que constroem
Sobre mim teorias e verdades
Eu busco sensibilidade
Estou à cata das evidências do amor-mundo
É isso que me move
E se eu esboço uma única palavra que seja
Sobre isto, o que escuto é uma risada
Ok! Tudo bem...
Eu vou continuar fazendo o que quero
E você vai continuar acreditando
Que me conquistou para sua seita
Eu não universalizo
Eu sou o universo

8.11.11

em clima contracultural


sabemos que quando o que parece, não parece nada
é porque é tudo e deseja o tudo
mas é preciso cautela para o nada vir a ser tudo
do parecer ao barro
o ruído pode ser insuportável
ah, mas isso sim é que seria primavera
a floração do tudo a partir do nada
a agressão da beleza
a chocar os escarros dos burocratas
vida sempre como potência
não à cultura pequena das convenções
que importa ela, essa de quem só faz muros
lembremos da arte
arte é luz e sempre pode nos recordar
que o possível pode ser o que quisermos que ele seja
que é preciso dizer o que deve ser dito
e fazer o que é necessário que seja feito
ignorar? esqueça. ideia errada, sinto lhe dizer...
o que você ignora se torna um fantasma
o que você deseja se torna seu barco
e é preciso que deixemos de lado a poesia óbvia
e o estabelecido dia a dia copiado.
porque também é preciso que sejamos mais
e tudo aquilo que a vida pode ser em nós
potência é uma questão de coragem.