21.4.10

voemos...

as linhas que se seguem me dizem tanto que tomei a liberdade de publicá-las aqui. pertencem [até onde é possível pertencer] ao querido amigo juba, autor errante do blog rizomarte e da vida que se leva estrategicamente calcada na força, na alegria, no amor...

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Eles me querem condensado
e eu me quero pior que isto.
eu me quero pior que eles.
porque me quero violento e eles o pacifico.

Escrevo com raiva e penso ainda pior que isto
quero me esmurrar todo pra ver se caibo
na caixa do meu próprio desejo
mas eu escorro, sempre
no fundo e raso
gosto disso.

aos interessados: ainda tenho pena!
só do que não sou eu
vitimizem-se longe de mim.
Não suporto ouvir nem meu próprio choro.
Troco de face feito um gatilho
que da arma cinza e pesada solta uma flor!

aos atrasados: o barco partirá comigo.
As minhas sirenes serão mudas .
As minhas sereias desafinadas, espantalhas de medusas!

Se virem de longe minhas mãos acenando
deêm um banho de mar para acordar suas ingenuidades!
Comemoro a fato de ter tido coragem para mentir as horas.
E, finalmente, ir só'
Forcei um atraso. A hora equivocada era um não-convite.
“-Cheguei tarde! ", um lamentaria..
E parto satisfeito olhando o cais cheio...
Gritaria com voz de lavadeira:
“Para mim tu nunca vieste, porque convidei apenas o teu equivoco!"

aos que me chamam de egoísta:
sou o mais multiplicador que conheço:
por saber pouco.
agora , se é para partilhar
comungem longe de mim
detesto ver a alegria dos outros quando dividem as migalhas entre si e pelo chao
porcos afarinhados!
Alegram-se por essa caridade?
obrigada pela culpa?
enquanto escondem o pão no alto
da vista daqueles que sào suspeitos.
Por que cheiram como vocês!

um egoista suscita -ismos
porque ama o singular

egocêntrico?
orbitando em mim, queimo-me menos
do que guardando a luz do sol nos meus poros
pela frente e depois pelo verso.
Depois ainda quando estou bem negro,
(a coloração indivisivel da noite e do lago)
rodo, danço, dissipo o calor do que há em minhas poeiras-lodo!
Mas os tolos, sempre friolentos
- certa necessidade de abrigo-
oportunamente gostam.
Oportunamente!
Quando descobrem que o quente lhe dá mais
do que esses arrepios chamados de vontade!

Egocentrífugo! E posso sê-lo!
Querem formas> massa!
Querem trabalho> o cio

Aos que brincam com a minha amizade:
estão voces mais vulneraveis ainda.
Estão perto!
Embora as armaçoes sejam tortas
-pois o afeto assim capta o maior abandonado-
as lentes são afiadas. E de grau.

Que raiva essa mais feliz!
Confia e sorri.
Branda densidade magmática!
Uma senhora que era puta
mas nunca prostituta, nunca se prostrava!
Cristalizar essa raiva?
Seria congelar orvalhos e colecioná-los!
Quando a graça é a grama molhada...
O matinal.

Minha raiva é do vespertino tardio
do horror à buzina do pão e do sonho
E se uns temem palhaços,
eu temo pipoqueiros das saídas escolares!


querem dados os tecnonarcisistas>
dardos lhes atiro no espelho

Sorrio, gosto de sorrir
gostando ou não de você
gosto antes daquilo que nos perpassa
Por quê a relação haveria de ser você?
a relação em si me apraz
sou linhas, linhas!
Sorrio, sorrio confortável
a maciez letárgica que dá dor nas costas.

Não irei mas sanear pensamentos
em nome do asséptico
nem desligar meu curto circuito
entre volume e superfície.

Quero as minhas cadeias de pensamento!
Derreter grades e forjar pedestais-plataformas
para voar, voar!

desabafo

viver pairando sobre as brisas

para depois lançar-me novamente

pudera eu ser brisa

e toda a vida pareceria mais leve

mas eu sinto até os interfones quando tocam

e as britadeiras espalhadas por todas as cidades

que hoje já são grandes até mesmo sem sê-las

e que agonizam em obras sem fim

quero ser poeta do meu tempo

mas não sei até onde isso é possível

recolho as folhas e os gravetos de outono

para que não perca de vista minha alegria de mudanças

porque elas doem

e eu sinto doer cada pedaço do mundo

as agonias, a força vencida pela arma

os peixes, as tartarugas, e tudo o que sofre no mar

tão invadido de garrafas

carregadas de uma mensagem que preferia não ler

sinto a dor de cada árvore derrubada,

cada planta impedida de crescer,

cada inseto que se esquiva no concreto

e por tudo o que é grande

porque é difícil desejar a grandeza em terra de ovelhas

e é por isso que eu amo as putas que querem ser putas

os vagabundos por opção

as chuvas e as trovoadas

navios, aviões, grandes máquinas

eu não concebo presente sem passado e sem futuro

o tempo não é linear, nem o passado e o futuro

são menos reais que o presente

e por isso vivo por aí uma solidão errante

sem curtir as baladas sociais

ou as reuniões em torno de cadáveres

onde não se diz nada e só se esquece que se vive

quero sempre sair por aí

mas não sei o quanto o meu querer

é suficiente para eu me jogar



mas tudo o que quero
se esvai pelos ciclos da vida e não pára
no infinito do instante...
é lá que eu quero estar

20.4.10

pílulas [seriam elas teses da semana?]

1. Em tempos de sociedade de controle morar num prédio sem câmeras nos elevadores, corredores e garagem é um luxo contemporâneo pra quem não sorri ao ser vigiado... Já há câmeras demais no mundo, inclusive nas bolsas e bolsos de todo mundo que, não contente em utilizar seus celulares em nome da proteção e do bem querer daqueles que amam, ainda podem utilizá-los para o disque denúncia da vida alheia.

2. Manoel Carlos, poupe-nos de suas lições e manuais de como viver a vida!

3. Serra na capa da Veja sorrindo? Alguém já viu o Serra sorrir antes? Quanto custa esse sorriso de Monalisa?

4. Escrevo tão pouco ao papel hoje que minha letra leva um tempo pra se encontrar...

5. A questão não me parece ser produzir e criar, mas produzir e criar com consistência.

6. Nas décadas de 70 e 80 Caetano Veloso, Sidney Magal, Ney Matogroso, Rita Lee, cada um com a sua genial singularidade, frequentavam o programa dos Trapalhões. Hoje a Turma do Didi recebe os astros mais singulares e inteligentes da nossa televisão: os ex-BBB´s... Uh, uh, uh, que beleza! Eu tento não ser nostálgica, mas no caso da TV parece uma tarefa árdua.

7. As tecnologias de visibilidade são perigosíssimas para quem tem o que dizer ao mundo. Fazem uma massagem no ego booooooaaaa...

8. O comercial sobre os 50 anos de Brasília merece o prêmio de piada do ano! E um prêmio especial deveria ser concedido a todos os moradores das classes média e alta que andam por lá produzindo abaixo-assinados para que escolas públicas não sejam construídas ao lado de suas singelas casinhas, e que as existentes sejam fechadas. Viva a diversidade brasileira! O gente bonita, nada preconceituosa, nada racista, nada machista, nada moralista... Um beijo na sua boca cheia de dentes!

9. Acho que estou enfastiada e vou dormir. Descobri com Foucault que sou um pouco romana,já que os romanos exercitavam a "escritura de si"... E ela cansa.