19.9.10

considerações dominicais nº 231

prefiro acreditar que não sou nada nem ninguém
só assim posso ser tudo!

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tenho muitos a priori
eles precisam morrer

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é preciso amar o tempo para dele
não sermos marionetes
é preciso amar o tempo!
o que foi, o que é, o que será

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me disse Pessoa: para viver a dois, antes é necessário ser um!

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me disse Moska: navegar só se for por paixão!

domingo

domingo de tarde
estou sozinha
como uma macarronada
nada mais simples
bebo um malbec
no som, kevin canta a incompreensão
uma nostalgia latina me invade
penso na verdade, e tão logo ela se dilui
penso em sexo, fico na vontade
penso no amor, me inflo
penso na arte, e me alegra o devir
e o que está por vir
de qualquer forma estou feliz
gosto de domingos
sorrio sozinha
e vou colorir os meus desejos

viver é bom nas curvas da estrada...

A solidão é uma puta velha
Ela chega cheia de ressentimento
Vai contando aquelas histórias mais bizarras
A gente se sente meio constrangido porque ela não tem papas na língua
Fala das dores passadas, das vezes que não queria
Ela gostaria de se vingar
Mas percebe que não há vingança possível
A quem? Ela se pergunta
E começa a contar outras histórias
Talvez elas nunca tenham existido
Mas se não existiram, não são menos reais
Só sei que de ressentidas não têm nada
E são uma celebração da vida, daquela forma mais inusitada
Diferente do comum, daquele comum que criamos como couraças
E o ressentimento vai ficando para trás quando se esquece
Ela vai esquecendo e vai tecendo o novo
Ela vai dizendo da montanha que escalou, do país que conheceu
Do homem que amou, das loucuras que cometeu
Se é verdade não importa,
Já produziu em mim uma alegria torta de viver
Tudo aquilo que posso fazer, todo o mundo inteiro pra sentir
E depois de contar todas as histórias, a puta velha se vai
Um tanto cansada, um tanto maravilhada
E eu fico, um tanto cansada, um tanto maravilhada...

elisa heráclito

ouvi de elisa lucinda:

o eu te amo de ontem, não é o mesmo de hoje. porque a rotina é um problema se cada dia é um dia diferente? se a cada dia somos uma pessoa diferente?

isso me lembra heráclito

não somos, estamos...

Nietzschelícia

caminho de mãos dadas com o bigodudo...


Aforismo 8 de “Os quatro grandes erros” – O crepúsculo dos ídolos – Nietzsche

Qual pode ser a nossa doutrina? – Que ninguém dá ao ser humano suas características, nem Deus, nem a sociedade, nem seus pais e ancestrais, nem ele próprio (...). Ninguém é responsável pelo fato de existir, por ser assim ou assado, por se achar nessas circunstâncias, nesse ambiente. A fatalidade do seu ser não pode ser destrinchada da fatalidade de tudo o que foi e será. Ele não é conseqüência de uma intenção, uma vontade, uma finalidade próprias, com ele não se faz a tentativa de alcançar um “ideal de ser humano” ou “um ideal de felicidade” ou um “ideal de moralidade” – é absurdo querer empurrar o seu ser para uma finalidade qualquer. Nós é que inventamos o conceito de  “finalidade”: na realidade, não se encontra finalidade... Cada um é necessário, é um pedaço de destino, pertence ao todo, está no todo – não há nada que possa julgar, medir, comparar, condenar nosso ser, pois isto significaria julgar, medir, comparar, condenar o todo... Mas não existe nada fora do todo! – O fato de que ninguém mais é feito responsável, de que o modo do ser não pode ser remontado a uma causa prima, de que o mundo não é uma unidade nem como sensorium nem como “espírito”, apenas isto é a grande libertação – somente com isso é novamente estabelecida a inocência do vir-a-ser... O conceito de Deus foi, até agora, a maior objeção à existência... Nós negamos Deus, nós negamos a responsabilidade em Deus: apenas assim, redimimos o mundo.