Postagens

Rede

cheiro de mar me arrasta sou rede pesco o infinito o desejo me deságua sou peixe que não se deixa pescar

Poema sensorial - ou da sensualidade universal

um suspiro e eu derreto como relógio de dali lentamente vem chegando com o ar quente cheiro de musgo a tocar minhas narinas como se fosse a mais bela das criaturas da natureza e com que sensualidade a água bate na rocha à beira da praia em dia de profundo silêncio esse que toca dentro de mim uma melodia doce e um ritmo cruel mesmo lá onde homens e mulheres ainda não estiveram lá também o calor faz os corpos se tocarem como calor quântico e multidimensional sem o qual nem o cosmo nem a vida seriam possíveis e que empresta sua bossa à valsa vascular trazida ao ar pelo violoncelista cujos dedos tocam as cordas como se tocassem uma mulher de pele macia brilhando ao sol, em dia de brisa e verão ela, que com seus beijos não hesitaria em lançá-lo àquele prazer profundo que só as madrugadas permitem perceber suave e intenso, o óbvio do mundo como o odor do carvalho, o gosto do pão, o tanino da bebida com seus dedos a desenhá-lo parte a part...

Fogo que arde

eu vivo o inexplicável e assim prefiro entre porta copos de van gogh e uma fantasia para o carnaval eu concebo poesias como quem quer dar à luz junto a isso, escrevo uma tese e acordo sempre muito cedo para ouvir o universo quando os homens se calam e saudar o sol com meu corpo integrado às vezes não durmo e falo com as estrelas que um dia romancearei uma ideia por vezes, é a música que me chama e como recusar o convite? quase sempre, é o mar e as águas todas do mundo que querem me levar para o fundo pra eu poder voltar e contar como é até que dá, Arnaldo, pra viver sem respirar um pouco eu vivo para não ter que explicar o que se sente é o que se sente o que se vive é o que deveríamos ter vivido o karma é presente constantemente tornado presente natureza que escorre exuberante mãe terra, mãe fértil do instante instant karma the love that we all need una voz de cantautora de flamenco informando a urgência do viver fogo ...

A calma do mundo

uma praia eu, você, o mar, todos nós sol até se pôr chuvinha fina no cair da noite café, biscoito doce rede para embalar os sonhos sonhos para se tornarem reais guitarras, pianos, enganos deixados de lado cachorro dormindo, bem-te-vi no telhado planta despertando com a água água para diluir as dores calma para as batalhas do mundo lua, estrela, eternidade em um segundo energia para as manhãs suco de frutas, capim limão e pães castanha para ter crocância bicicleta para a consciência e a errância amor em cada canto da casa no jardim e no banheiro, flores prancha na varanda desejando onda menino na onda realizando a prancha música para um fim de tarde cigarras, incenso, vela de canela cervejinha para brindar com amigos yôga para brindar o corpo sexo com suor e de verdade chinelo pra descansar a ansiedade hortelã, alecrim, manjericão banana com mel, mel com limão livros nas escadas abrindo caminhos uma montanha vista da janela ...

o que houve?

saudade estranha do que não foi da poesia que ficou suspensa angústia das escolhas mal feitas que permaneceram escolhas e não foram alegrias transbordamentos o que se faz com eles? o que se faz com a poesia diante do concreto?

visão

Mora onde a santidade? Essa que não tem rosto De uma santa que brilha por cima Dos templos tão outros dos antigos Que já não sei para que existem Santa? Demônio? Tanto faz São a mesma coisa O que nos faz tão diferentes? O que nos faz tão iguais? Porque o silêncio e a luz insistem em representar a divindade? Eu poderia ser qualquer santo Entidade, arquétipo Que eu saiba não há graduação pra isso Que eu saiba ainda não inventaram distintivo Que marque a chegada do divino Porque ele está em toda parte Até no que chamam de pecado Minha intuição cada vez falha menos Nunca falhou E quase não dei atenção Porque de fato eu funciono como um alerta E me surpreendo sempre porque acerto Eu sei, sempre sei A santa me falou Me disse que ali era só eu mesma e nada mais Ela foi o sinal Mas quem no nosso mundo tão precário Sabe ouvir o que não se escuta? Eu? Estou aprendendo. Eu ouvi

Eu sou o universo

Não serei o que quer que você queira que eu seja Não posso Acredite que o que se passa aqui dentro Não é o que você vê Você que não me conhece bem E acha cabível conceber um mundo para mim Eu concebo o meu mundo E cada vez mais Nele só cabe o que manda o meu desejo E você vai achar bonitinho o que eu escrevo Profundo... E nem vai perceber que é pra você que eu falo Para todos vocês que constroem Sobre mim teorias e verdades Eu busco sensibilidade Estou à cata das evidências do amor-mundo É isso que me move E se eu esboço uma única palavra que seja Sobre isto, o que escuto é uma risada Ok! Tudo bem... Eu vou continuar fazendo o que quero E você vai continuar acreditando Que me conquistou para sua seita Eu não universalizo Eu sou o universo